Diário de Maria

O Prazer

março 19, 2012Ricardo Santo

 Imagem roubada daqui vale a pena visitar


chuva continuava a fazer-se sentir naquela manhã de segunda-feira, o tempo agreste tinha vindo para ficar, o Inverno caia finalmente sobre a capital. Maria abriu a pesada porta da vivenda rumando apressadamente à caixa postal, uma factura da MEO, uma propina por pagar da faculdade e uma última carta sem remetente, o seu coração palpitou de imediato, o sangue acelerou entre as veias e sentiu um arrepio que lhe percorreu toda a coluna vertebral num intenso choque emocional. Recolheu ao interior angustiada deixando as duas primeiras cartas sobre a mesa da cozinha subindo rapidamente ao seu quarto no primeiro andar. A inquietação aumentava a cada degrau transposto, a carta somente tinha o seu nome como remetente, escrito a letra de imprensa, envelope pequeno, branco pálido, soube de imediato de onde vinha, antecipava aquele momento. Entrou no quarto fechando a porta atrás de si, não queria ser incomodada, rasgou o topo do envelope com o dedo indicador retirando o pequeno cartão escondido no interior, as suas mãos tremiam ligeiramente, estava dobrado ao meio, sentia-se em êxtase, leu… “Esta noite - 23:00h - Avenida da Liberdade Nº 115” Sentiu o seu corpo a contorcer com as palavras, sempre o mesmo efeito perturbador a cada carta recebida, a cada frase lida para o seu interior, a mente em total redopio, conseguia sentir o sexo a latejar antecipando os próximos capítulos. Fazia tempo que não era convocada para uma reunião, a espera tinha terminado, iria certamente adorar a envolvência e glamour da nova experiência. Sentia-se a fervilhar de tanto entusiasmo.

Maria abandonou o táxi apressada não se importando com o troco da viagem, já passava da hora marcada, tinha demorado mais tempo a chegar do que o previsto, os ponteiros do seu relógio Calvin Klein prateado marcavam agora 23:15h, iria certamente sofrer consequências por este abuso. Chovia ligeiramente enquanto se dirigia para o local indicado no cartão, a avenida estava completamente deserta aquela hora da noite com o comércio todo fechado. Sentia os sapatos brancos de fivela a chapinharem nas poças de água da calçada lisboeta, nem o tacão avassalador a protegia de molhar as meias rendadas. Retirou o capuz da parca ao chegar ao seu destino, tocou duas vezes à campainha como tinha sido instruída da primeira vez e esperou. A imponente porta de madeira abriu-se passados alguns segundos soltando um ruído audível sendo recebida pelo habitual porteiro de serviço, já o conhecia de outras paragens como no Palácio, vestia um elegante smoking preto, aguardava a sua chegada, convidou-a a entrar com um despretensioso gesto. Maria invadiu o casarão com o coração a palpitar, sentia o suor a escorrer-lhe pelo estonteante corpete de renda branda que tinha escolhido para a ocasião. Notou de imediato a falta de iluminação no espaçoso hall de entrada, o ambiente estava morno comparando com o exterior, entregou ao porteiro a parca branca que lhe dava pelas coxas, gotas de água escorriam para a alcatifa desgastada. Percorreu o corredor enquanto a figura careca se afastava em passos demorados, novamente pouco iluminado, portas amareladas fechadas de ambos os lados, quadros poeirentos e mobiliário do século transacto abrangiam o local. Caminhou inquieta até à galeria, as mãos tremiam ligeiramente, tentou acalmar o medo respirando fundo, murmúrios ecoavam pelo ar, sentiu-se imediatamente consumida pelo sinistro espaço onde se embrenhava, equacionou voltar atrás, impossível pensou, a sua curiosidade falava sempre mais alto.

Maria chegou ao final do corredor sustendo a respiração, tinha o coração na boca, agora não havia volta a dar, não podia recusar a convocatória, sentia-se completamente perturbada entre aquelas paredes que a consumiam, a galeria apresentava-se na sua frente, já não faltava muito para a alcançar quando um vulto surgiu na sua frente, obstruindo a luminosidade quase por completo. Assustou-se ao primeiro impacto, recompôs-se e continuou a caminhar ao seu encontro. O vulto era alto, porte atlético, vestia um smoking preto e envergava um chicote de nylon entrelaçado na mão direita, balançava ligeiramente para a frente e para trás. Não lhe conseguia identificar as feições do rosto, estava coberto por uma máscara de gás totalmente preta, bastante sinistro. Tentou pronunciar algumas palavras mas a sua boca não emitiu qualquer som, a mente já fervilhava intensamente. Ao invés apenas se conformou com a venda que lhe estava a ser colocada, a visão ficou ofuscada por ligeiros segundos até desaparecer por completo, mergulhou na escuridão. Conseguiu cheirar durante alguns segundos a fragância que o vulto emanava, envolvente, tentou sem efeito identificar a essência levemente adocicada. Sentiu passos passados alguns segundos, alguém se aproximava, passada curta e ritmada, saltos altos, feminina. A sua mão esquerda foi tocada, puxada, guiando-a para o interior da galeria. O toque era suave e delicado, feminino sem dúvida, deu os primeiros passos para o interior, sentia-se completamente delirante ao ter perdido o sentido de visão. Murmúrios ecoavam pelo espaço, uns mais audíveis do que outros, Maria não conseguia discernir quantas pessoas estavam presentes na sessão, a sua mente fervilhava num imenso mar de emoções. Soltou um violento grito ao sentir pela primeira vez o nylon do chicote nas suas nádegas, o impacto das pequenas tiras invadiram o seu interior como chamas, propagando-se, queimando tudo à sua passagem, devorando a sua natureza. Não demorou muito para sentir o segundo impacto, mais intenso que o primeiro, mais arrojado e excessivo, exactamente no mesmo local do anterior, o corpo estremeceu violentamente, nem a sua cueca de renda a protegia de tal castigo, susteve o grito mordendo o lábio inferior quase ao ponto de fazer sangue enquanto a sua mente imaginava o cenário envolvente, aquele vulto de máscara de gás, o chicote a esvoaçar, a marca da punição visíveis nas suas nádegas, os olhares dos voyeurs presentes observando a acção, deliciava-se com aquele misto de prazer e dor que usurpava o seu corpo e mente, sentia-se inebriada naquele labirinto de submissão. Cedeu ao embate da terceira chicotada, gritou audivelmente, o som ecoou por toda a galeria, os joelhos abdicaram da força, debruçando-se para o chão em contrações sucessivas, arfava compulsivamente quase ao ponto de se salivar, as nádegas ardiam de excitação, tinha naquele momento a perfeita noção de ter molhado as cuecas, o seu fio de prata com o pendente em forma de borboleta balançava sem fim preso ao pescoço, já esperava o castigo pelo atraso, já o antecipara, era inevitável.

Maria sentiu o seu corpo a ser elevado no ar, flutuando, braços fortes ergueram-na, levitando, imaginou quantos corpos seriam? Dois? Três? Quatro? Regressou a si ao ser colocada sobre uma superfície maleável e fria, uma marquesa seguramente, arrepiou-se ao sentir o tecido gélido nas suas costas, tentou habilmente espreitar pela venda, impossível, a escuridão mantinha-se tal como o ardor intenso presente nas suas nádegas. Sentiu o fecho do corpete de renda branca a deslizar do seu lado esquerdo, delicadamente, da axila até parar na anca, abandonando o seu corpo, desnudando e revelando o seu peito volumoso e sensual, os mamilos esses despontaram de imediato ao serem expostos aos olhares. Sentiu então os pulsos a serem seguros por mãos fortes e presos por pequenas fivelas de cabedal à marquesa, primeiro o direito, depois o esquerdo, não resistiu e deixou-se arrebatar submissa, tinha aprendido a lição de obediência. Segundos depois os seus sapatos brancos caíram perdidos no chão e sentiu o mesmo procedimento nos seus membros inferiores. Estava agora totalmente aprisionada, subjugada física e mentalmente naquele pequeno espaço. Maria sentiu a primeira gota bem no meio do seu peito volumoso, seguida de uma segunda e mais outra fazendo-a contorcer-se instantaneamente e gemer de forma audível. Tinha a visão completamente obstruída pela venda que lhe tinha sido imposta e rapidamente experimentou a sensação de um fio quente de vela derretida a escorrer lentamente pelo seu sensual corpo, nova contração inesperada, um rasgar interno, misturando dor e prazer, uma dupla sensação que lhe elevou os sentidos.

 Continua...

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36 comentários

  1. Cá está, um bom castigo.
    Agora que nos elevou os sentidos... deixa-nos à espera...
    Parece-me bem.
    Aqui estarei.
    Beijo sexy,
    Ana

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  2. Que experiência delirante...
    Fico ansiosamente à espera da continuação *

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  3. És meu rei... e pena de nãos ser-te rainha..

    Beijos.Me

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  4. E qual Dom perante a sua Sub, temos promessa de momentos bem... Intensos e arrebatadores na sua essência mais pura! Mente versus corpo, numa simbiose apenas ao alcance de alguns...

    Sempre a ler-te Santo sempre, e tu sabes... que sim.

    Beijo(Te)

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  5. Submissão e castigo... intenso, provocante,e arrebatador.

    Fico a aguardar...

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  6. Fico a aguardar ansioso. Este teu blog está fantástico e estou a seguir .
    Segue também o meu em mistercharmoso.blogspot.com

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  7. Black Angel

    Sem dúvida um belo início de castigo. A submissão faz parte do jogo de sedução, a busca pelo desconhecido atiça a mente elevando os sentidos. Recomendo vivamente ;)

    Beijo

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  8. Sexy Couple

    Concordo, um belo castigo para iniciar mais uma aventura de Maria. Como tantas outras coisas na vida é necessário começar devagar e aumentar a intensidade aos poucos, o nível de excitação aumenta, o prazer aumenta, a luxuria aparece. Espero-te de volta para a continuação...

    Beijo

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  9. Secret Me

    As experiências e as viagens é que valem a pena neste jogo da vida. São elas que fazem toda a diferença, ficando tatuadas no corpo e mente. A Maria voltou a mergulhar no seu mundo mais oculto e perverso para recolher todo o prazer, espero que tenhas mergulhado com ela ;)
    A continuação da aventura para breve...

    Beijo-te

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  10. M.

    Obrigado pelo carinho.
    Espero que tenhas gostado do início da aventura.
    Retribuo com um sorriso na cara e um beijo

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  11. Libertya

    Mente vs Corpo porque só assim faz sentido, porque deveria ser sempre assim, um elo arrebatador que não se deve quebrar. Maria entrou novamente no seu pequeno mundo secreto, mais uma viagem tão sua ao desconhecido, sem saber o que vai encontrar mas sabendo sempre o que procura...

    Tanto ela, como tu...
    Beijo

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  12. AC

    Espero que tenhas gostado de mais este início de aventura e que as palavras te tenham invadido o corpo e mente. Submissão, castigo e ousadia fazem parte do jogo, a busca pelo desconhecido, a adrenalina a percorrer as veias, provocante e arrebatador como referes ;)

    Beijo-te

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  13. MisterCharmoso

    Bem-vindo de volta.
    Obrigado pelas tuas palavras, espero que te identifiques com os contos e que regresses para a continuação.

    Abraço

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  14. Ainda se fosse ELA a chicotear... mas já percebi que não é mulher para isso ;) ou melhor, o "escritor" não é gajo para isso ;P

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  15. Um belo jogo de sedução com um delicioso castigo!
    Aguardo a continuação...

    Bjos
    Mary

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  16. carpe vitam

    O intuito do conto poderia perfeitamente ter passado por colocar Maria em outra situação mas, mais uma vez, todo o conto é observado e descrito por uma terceira pessoa, como um voyeur que observa a acção. Maria é somente uma peça no tabuleiro de xadrez.

    O "escritor" pouca importância tem, ele apenas conta a história...

    Beijo

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  17. MissMary

    Obrigado por te embrenhares nas minhas palavras. Espero que tenhas aproveitado a viagem, que a tua mente tenha recebido a resposta certa ao jogo de submissão e sedução que recriei nesta aventura.

    Espero-te de regresso para a continuação ;)

    Beijo-TE

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  18. Um castigo assim vale sempre a pena ;)
    Beijos prometidos

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  19. venho retribuir a simpática visita, e aproveitei para conhecer a Maria! :)

    Obrigada e Parabéns!

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  20. Olá...
    Passei pra conhecer seu blog e gostei muito daqui, histórias deliciosas... Já estou ansioso pelo final desta... hehe

    Estou seguindo aqui, ok?
    Quando puder visite o meu blog:
    http://dafimastersex.blogspot.com
    E se puder seguir, agradeço..

    Abraços!

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  21. Nossa... texto extremamente sensual e envolvente. Me deu mais vontade de experimentar esse universo que se abre devagar a minha frente! Curiosa agora pelo que virá a seguir...
    Voltarei com certeza!

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  22. DESIRE

    Um castigo pode ser visto de diversas formas e neste caso em particular o retorno está a ser bastante agradável para Maria. Como referes existem castigos que valem a pena ;)

    Para breve a continuação...
    Beijo

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  23. Lust

    Bem-vinda a este pequeno espaço. Espero que te identifiques com as palavras que por aqui vais encontrando. A Maria faz parte de todos nós, não é ninguém e é toda a gente. Atreve-te a fazer a viagem das suas aventuras...

    Espero que tenhas gostado...
    Beijos

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  24. FilipeSan

    Obrigado pela visita.
    Fico contente que tenhas gostado do espaço e das aventuras que por aqui andam. Em breve mais um capítulo desta última aventura...
    Já visitei o teu espaço diversas vezes e vou continuar a seguir...

    Abraço

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  25. Amanda

    Bem-vinda a este espaço de pecado.
    A curiosidade é um dos melhores afrodisíacos conhecidos, só temos de a saber aproveitar. Ela mexe com toda a nossa mente e corpo :)

    Obrigado pelas tuas palavras quentes, espero-te de regresso na conclusão da aventura.

    Beijo

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  26. ► JOTA ENE ◄

    Bem-vindo de volta
    Grande castigo que Maria se aventurou, extremamente desejado e sentido. A curiosidade desperta a libido de forma transcendente ;)

    Abraço

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  27. A curiosidade é o mote... o fascinio pelo desconhecido o rastilho que inflama à procura...



    Uma descrição que mais ard core que nos leva a um mundo diferente, mais dentro. Ousado!...




    Essa mente, que tanto viaja... e tenta entrar em todo o lado! ;)





    Beijo

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  28. Tu és menino para teres pinta...


    Terás tu... pinta?
    (no meu blogue)
    Beijo

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  29. Tu sabes onde pega.. e como pega..


    Beijos.Me

    ResponderEliminar
  30. hummm ...expectante pela continuação..

    BeijoS

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  31. Intenso. Vibrante. Castigos que são...prazer. Aguardando.
    Beijos

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  32. Admito ser raro o Blog com textos deste género que me entusiasme, mas... dou o braço a torcer, há que admitir quando algo é bom.

    Hug and kiss.

    ResponderEliminar
  33. SantoDiabinho

    ..Viciaste-me na Maria...

    Beijo

    ResponderEliminar

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