Diário de Maria

O Prazer II

outubro 25, 2012Ricardo Santo



Sentado a um canto da galeria o Estranho acompanhava descontraidamente o desenrolar da acção. Um Lucky Strike ardia entre os dedos da sua mão direita enquanto os seus olhos castanhos observavam os voyeures presentes na reunião. Vestia um tradicional smoking preto revelando pequenos relances da camisa branca, o dress code da irmandade assim exigia, não gostava de o quebrar. No encosto da cadeira pendia a capa preta que já tinha visto melhores dias e uma máscara que se tinha cansado de usar. Estava a desfrutar do sarau nocturno mesmo sem ter uma companhia. Olhou descontraidamente para o relógio, quase duas da manhã na capital, na sua frente um casal de lésbicas aquecia o ambiente com envolventes trocas de saliva e ousados deslizares de mãos. Os seus olhos atravessaram os da majestosa loira de olhos amendoados, possuía lábios cativantes, cabelo encaracolado volumoso que descaía sobre os ombros desnudos, sentada sobre a parceira, somente uma pequena saia de pregas bordô e uns colossais sapatos de salto alto preto lhe cobriam o escultural corpo, sem dúvida que tinha sido abençoada à nascença. Os olhares intensificam-se durante alguns segundos, penetrantes, intensos, transmitindo desejo e luxuria em simultâneo. A loira beijava a parceira de forma provocadora, chupando-lhe os lábios, deslizando a língua pelo rosto, incentivando a transmissão de desejo e tesão pelo sentido de visão num espectáculo semi-privado entre os dois. Era por demais evidente que ambos gostavam do jogo lascivo dos sentidos, do flirt inebriante que trespassa a imaginação, nem sempre são necessárias palavras para tudo acontecer. A atenção do Estranho foi perturbada pelos gemidos audíveis vindos do centro da galeria, Maria debatia-se cada vez mais na marquesa tentando libertar-se das algemas e fivelas que a prendiam. Ela era sem dúvida o centro das atenções naquela noite chuvosa sendo poucos os voyeurs que se abstraiam do erótico ritual. Apagou o cigarro, colocou a máscara e seguiu o par feminino que abandonava agora a galeria.

Maria contraia-se cada vez mais deitada na pequena marquesa, as gotas soltas e ritmadas invadiam o seu peito começando a surtir o efeito ambicionado, todo o seu corpo estremecia, ameaçando entrar rapidamente em erupção. Vendada, algemada e totalmente subjugada no interior da galeria, a sua mente viajava sem retorno, mergulhada na imensa escuridão, recebendo sucessivos flashes do que supostamente se passava à sua volta, os murmúrios, os gemidos abafados, a luxuria presenteada aos presentes pelo seu corpo nu. A cada gota sentida, um misto de dor e prazer alastrava no seu interior, percorrendo cada saliência, inflamando todos os recantos do seu corpo. Tentava em vão soltar-se das correntes que a amarravam, sem sucesso, era impossível escapar, no fundo Maria sabia que era um esforço inútil, inglório, tinha a plena consciência que não valia a pena resistir, a submissão era o único caminho a seguir. Tentou abstrair-se da total ausência de luz, resistir mentalmente ao fogo que a consumia. Gota após gota, sentia a cera incandescente a deslizar pelo seu peito volumoso, escorrendo, deixando finos rastos pelo corpo. Maria estava a adorar a experiência, ser a rainha idolatrada naquela noite da irmandade. As suas nádegas porém ainda pulsavam, doridas do recente tratamento de chicote, imaginou que seria difícil sentar-se confortavelmente nas próximas horas. A sua respiração acelerou ao sentir mãos a treparem pelas suas pernas, percorrendo as meias brancas rendadas, eram fortes, musculadas, masculinas sem dúvida alguma. Pressentiu a humidade a instalar-se no meio das pernas, era inevitável. A ansiedade tomou conta do seu ser, o seu coração batia velozmente, sentiu as cuecas a abandonarem o seu corpo, arrancadas, rasgadas, esvoaçando pela galeria, deixando o seu sexo a descoberto para todos os presentes.

Maria arfou ao sentir os primeiros dedos a invadi-la, sem dúvida que eram hábeis e atrevidos, penetrando-a bem fundo como tanto gostava. Os lábios do seu sexo pingavam de entusiamo, sentia-se agora completamente inundada de tanta excitação. O seu corpo incandescente contorcia-se a cada jogo de dedos mais ousado no seu interior, sentia-se embriagada por tamanha violação, parou de raciocinar, era hora de se entregar literalmente ao prazer. As suas pernas tremiam ao sentir-se massajada no seu íntimo, dedos que se dobravam e massajavam a pequena saliência posicionada internamente por detrás do seu clitóris. Foi impossível conter gemidos que ecoaram por toda a galeria, espasmos sucessivos percorriam o seu desinquieto corpo a cada nova investida, uma após outra, deixando-a deliciada. Impotente sobre a marquesa, sentiu a palma da mão a repousar sobre os seus lábios já inchados, roçando violentamente o excitado clitóris. Os dedos esses, percorriam agora os pequenos relevos existentes no seu interior, investindo insanamente, descontrolando-a por completo, Maria escaldava agora de tanto tesão acumulado, o orgasmo antevia-se, sentia-se desnorteada, completamente entregue, queria-se vir. A penetração ritmada atingiu o seu auge, o seu corpo escravizado latejava não conseguindo suster mais aliciação, não se conteve, libertando-se finalmente num orgasmo colossal.

Continua...

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8 comentários

  1. Consegues fazer melhor......

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  2. Muito ME agrada o teu regresso..

    Ansiosa pela continuação!

    Beijo

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  3. A história ainda vai a meio, pelo que consegui perceber. Muito há ainda a "desflorar" e achei de muito bom gosto. Esperarei...

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  4. Antevê-se uma bela noite para Maria.


    beijos

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  5. Anónimo

    Concordo plenamente. Uma ausência prolongada acaba sempre por deixar estragos, existe sempre aquela dificuldade inicial em retomar o fio à meada. Mas esta segunda parte do conto serve de "aperitivo" e foi essa a intenção de o escrever, abrir um pouco a porta para o próximo capítulo...

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  6. Black Angel

    Também eu tinha saudades deste meu canto de escrita. Poderá não ser um regresso a 100% mas certamente "Desejos Escaldantes" não vão faltar. Gosto de te "ver" por aqui, para breve a continuação...

    Beijo

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  7. Rubina Gonçalves

    Obrigado pelo comentário. Sim este conto ainda vai a meio, ainda não me decidi se terá três ou quarto partes, tudo vai depender do desenrolar da próxima acção. Desflorar é uma palavra que me agrada e que descreve uma característica da Maria. Espero-te de regresso na próxima...

    Beijo

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  8. Pearl

    As noites de Maria são sempre interessantes e está ainda vai a meio. Para breve a continuação...

    Beijo

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