Diário de Maria

O Encontro VIII

setembro 12, 2014Ricardo Santo


Uma ideia, uma simples ideia, sabia perfeitamente que tudo começava por ela. Embrenhava-se lentamente na mente sem se dar conta, sem qualquer relevância, amadurecia e aos poucos alastrava a todos os recantos, absorvendo todos os pensamentos. Permanecia no seu interior como um parasita, uma bactéria, um verme quase impossível de erradicar até ao momento de ser concretizada. Abandonou o quarto de banho regressando ao estreito e escuro corredor deixando o sensual par entretido nas suas ousadias na banheira, degustando-se a cada segundo que passava sobre a água tépida. Retirou o smartphone branco do bolso, o mostrador digital marcava 4:50h da madrugada e continuava sem qualquer tipo de sono, percorreu agilmente os menus entrando na lista de contatos, em poucos segundos estava com o telefone encostado ao ouvido, sinal de chamada, um toque, dois toques, três toques…

- Estou?
- Preciso de ti, agora
- Estás metido em alguma alhada?
- Por assim dizer, quanto tempo para chegares ao Saldanha?
- No mínimo 20 minutos, já estava deitado
- Ótimo, acho que consigo cuidar do assunto até chegares
- Trata de chegar aqui rápido que tenho algo para te fazer despertar
- Que conseguiste desta vez?
- Duas morenas
- Filho da Puta, como é que consegues essas merdas?
- Só tu para me fazeres sair da cama a esta hora
- Mexe-te, dá-me toque ao chegares
- Estaciona perto do Hotel Ibis

Miguel tinha poucos anos a menos que ele, tinham estudado na faculdade juntos durante um par de anos e tinham-se tornado bons amigos. Habitualmente partilhavam sessões de estudo e trabalhos de engenharia em conjunto mas, rapidamente passaram a repartir também outros prazeres da vida. Eram comuns as saídas noturnas na louca capital lisboeta, Bairro Alto, Docas, Alcântara e 24 de Junho eram algumas das zonas de ataque da dupla que aterrorizava bares e discotecas nas ruas e vielas estreitas de Lisboa, tinham sido anos vividos com intensidade e sempre no fio-da-navalha naquela época de faculdade. Recordava que Miguel tinha uma panca por colegiais e estudantes de intercâmbio, adorava estudar línguas estrangeiras, especialmente do leste europeu, não resistia a uma elegante loira, alta e de beleza abençoada. O seu cabelo loiro esvoaçante e olhos esverdeados captavam atenção redobrada num local cheiro de fêmeas, sempre recaíram para si as atenções e andava continuamente bem acompanhado no que toca ao ser feminino. Era um jovem popular na faculdade, muitas amizades coloridas, muita borga mas por sinal era também alguém que se podia confiar sempre que fosse necessário. Foi por essa razão que a cumplicidade deles resultou logo desde o início tão bem, o calculismo, planeamento e organização da mente de um, o desvarei-o, exuberância e relaxamento na do outro. Essa mistura de mundos opostos levou-os muitas vezes a ultrapassar limites, desbravando caminho pelo pecado e prazeres da vida. Em perspetiva estaria mais uma madrugada como tantas outras onde a dupla deixaria a sua marca em corpos femininos torneados e sensuais. Enquanto percorria o exíguo corredor equacionou a reação delas ao adicionar um novo elemento à equação. Podiam sentir-se desconfortáveis com a situação, não gostarem da abordagem e ousadia, afinal de contas não se encontrava na sua zona de conforto e muito menos era dono das rédeas da situação, Madalena é que comandava as operações a seu belo prazer mas, no final de contas, onde cabem três cabem quatro. No entanto sempre confiara na sua intuição, raramente o deixara mal visto e aquela ideia não lhe saía do pensamento, Miguel teria de fazer parte daquele esquema custe o que custasse e no final da semana, estariam certamente a beber umas cervejas geladas e a confraternizar pelo sucesso do acontecimento. Fez o smartphone regressar ao bolso e encostou-se à velha ombreira da porta contemplando a ação, sorria de forma maliciosa. Os seus olhos castanho-escuros brilharam ao observar a luxuriosa atividade da dupla naquele pequeno espaço, que brutal fotografia mental. Madalena estava praticamente deitada sobre a banheira, os mamilos esses estavam bem duros e eretos, toda ela aberta com as suas sensuais pernas fora de água, Patrícia essa ajoelhada, debruçava-se no meio das pernas da parceira, cujo sexo flutuava à tona. Deliciava-se a cada deslize de língua, ofegando de boca bem aberta, faltava-lhe oxigénio e gemia sedenta de prazer, contorcendo os músculos que eram assaltados por choques vibrantes, sentia um calor abrasador a emanar do interior do seu corpo, simplesmente descomunal. Não conseguiu conter a exuberância, contorcia-se a cada nova investida e brutalmente deleitou-se numa onda de prazer, fazendo a água transbordar para o chão do quarto de banho. Choques intensos percorreram as suas veias incendiando-a enquanto se contraía, espasmos de prazer brotavam do seu corpo, contorcia-se e gemia audivelmente e sem controlo, murmurando palavras indecifráveis. Deitou a cabeça para trás na banheira enquanto o seu corpo submergia na água quente, repousando, saboreando o momento ao mesmo tempo que procurava recuperar a respiração, Madalena estava no sétimo céu após o primeiro orgasmo da noite.


Continua...

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3 comentários

  1. PEQUENOS DELITOS RENOVADOS

    Obrigado pela visita, a continuação está para breve ;)

    Abraço

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